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Transtorno Borderline: Quais os Sintomas e Como é o Diagnóstico?

Mulher depois dos 40 refletindo sobre sintomas do transtorno borderline

Talvez você tenha pesquisado sobre transtorno borderline depois de perceber emoções muito intensas, medo de perder alguém, impulsividade ou relacionamentos que parecem mudar rapidamente entre proximidade e conflito. Ou talvez outra pessoa tenha usado a palavra “borderline” para explicar seu comportamento e agora você esteja tentando descobrir se isso realmente faz sentido.

A primeira coisa importante é separar reconhecer características de receber um diagnóstico. Ter mudanças de humor, medo de rejeição, raiva, impulsividade ou dificuldade em um relacionamento não significa, sozinho, ter transtorno de personalidade borderline.

O transtorno de personalidade borderline, também chamado de TPB, envolve um padrão mais amplo e persistente de dificuldades na regulação das emoções, na maneira de perceber a si mesma, nos relacionamentos e, em algumas pessoas, no controle de impulsos. O diagnóstico não é feito por uma reação isolada nem por um teste rápido da internet. Ele depende de uma avaliação clínica que procura entender como esses padrões aparecem ao longo do tempo e quanto interferem na vida.

Isso também significa que duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem não se parecer tanto quanto os vídeos e listas de sintomas das redes sociais fazem imaginar.

A resposta mais importante antes de continuar

Não existe exame de sangue, ressonância, teste hormonal ou questionário online que, sozinho, confirme transtorno borderline. O diagnóstico é clínico e deve considerar história de vida, padrão emocional e de relacionamentos, impulsividade, funcionamento cotidiano, outras condições de saúde mental e risco de autoagressão ou suicídio.

O que faz a suspeita ser diferente de uma fase emocional difícil?

Todo mundo pode reagir mal a uma rejeição, discutir com alguém que ama, agir por impulso ou atravessar uma fase em que não sabe muito bem o que quer da vida. Uma sequência de semanas difíceis também pode acontecer durante luto, separação, desemprego, sobrecarga familiar, doença, privação de sono ou outras situações de grande estresse.

No transtorno borderline, a avaliação procura algo diferente: um padrão que se repete em diferentes momentos e contextos e que provoca sofrimento ou prejuízo significativo.

Imagine, por exemplo, uma mulher que terminou um relacionamento e passou algumas semanas mais insegura, chorosa e com medo de ficar sozinha. Isso, por si só, não define um transtorno de personalidade.

Outra situação é quando, ao olhar muitos anos da própria história, aparecem repetidamente relações marcadas por medo intenso de abandono, mudanças muito rápidas na maneira de enxergar a outra pessoa, impulsividade que traz consequências, sensação persistente de vazio, dificuldade importante para regular a raiva e crises emocionais que afetam trabalho, família, amizades ou autocuidado.

É essa visão mais ampla que interessa durante a investigação.

Mulher refletindo sobre padrões emocionais persistentes do transtorno borderline

Por isso, perguntar apenas “eu tenho medo de ser abandonada?” é pouco. Perguntas mais úteis são: há quanto tempo isso acontece, em quais relações, como eu costumo reagir e o que acontece depois?

Quais são os sintomas do transtorno borderline?

A American Psychiatric Association descreve nove características usadas na avaliação do transtorno de personalidade borderline no DSM-5-TR. Para o diagnóstico nessa classificação, o profissional procura uma combinação de pelo menos cinco delas dentro de um padrão clínico persistente.

Mas há um cuidado indispensável: essa informação não deve transformar os critérios em um teste do tipo “marque cinco e descubra seu diagnóstico”. Cada característica precisa ser interpretada dentro da história da pessoa, porque comportamentos semelhantes podem acontecer por razões muito diferentes.

  1. Medo intenso de abandono e esforços para evitar uma separaçãoA possibilidade real ou imaginada de alguém se afastar pode provocar sofrimento muito intenso. Em algumas situações, isso leva a tentativas desesperadas de impedir o rompimento, recuperar contato ou obter garantias de que a relação não terminou.
  2. Relacionamentos muito intensos e instáveisA maneira de perceber alguém pode mudar de forma acentuada. Uma pessoa pode ser vista como extraordinária e indispensável e, depois de uma frustração ou sensação de rejeição, passar a ser percebida de maneira extremamente negativa. Isso não significa que qualquer relacionamento turbulento seja borderline.
  3. Imagem de si mesma muito instávelPode haver mudanças marcantes na forma de se enxergar, nos objetivos, valores ou sensação de identidade. A pessoa pode passar de grande confiança para sentimentos intensos de inadequação ou não saber claramente quem é ou o que deseja.
  4. Impulsividade capaz de trazer prejuízoGastos descontrolados, comportamento sexual de risco, uso prejudicial de substâncias, direção imprudente ou episódios de compulsão alimentar são exemplos descritos nos critérios. O importante não é apenas existir alguma impulsividade, mas seu padrão e suas consequências.
  5. Autoagressão ou comportamento suicida recorrenteAlgumas pessoas podem apresentar falas ou comportamentos suicidas recorrentes, tentativas de suicídio ou autoagressão. Esse sinal sempre merece atenção séria e não deve ser reduzido à ideia de “querer chamar atenção”.
  6. Oscilações emocionais intensasO humor pode reagir fortemente a acontecimentos, especialmente situações percebidas como rejeição, abandono ou conflito. Podem aparecer tristeza intensa, ansiedade, irritabilidade ou desespero, às vezes mudando em um intervalo relativamente curto.
  7. Sensação persistente de vazioAlgumas pessoas descrevem um vazio difícil de explicar, sensação de não ter propósito, tédio intenso ou impressão de que falta algo mesmo quando, aparentemente, a vida está organizada.
  8. Raiva muito intensa ou dificuldade para controlá-laPodem ocorrer explosões, irritação marcante, discussões repetidas ou dificuldade para diminuir a intensidade da raiva depois que ela começa.
  9. Paranoia transitória ou sensação de desconexão em momentos de estresseSob grande tensão, algumas pessoas podem desconfiar fortemente das intenções dos outros ou apresentar experiências dissociativas, como sentir-se estranha em relação ao próprio corpo, distante de si mesma ou como se o ambiente não parecesse completamente real.

Essas manifestações variam muito de intensidade. Uma pessoa pode ter grande dificuldade principalmente nos relacionamentos; outra pode sofrer mais com impulsividade, vazio ou autoagressão. É justamente por isso que o diagnóstico não deveria produzir um estereótipo.

Ter cinco sintomas significa que eu tenho borderline?

Não.

Essa é uma das interpretações mais perigosas de listas diagnósticas publicadas na internet.

Os critérios não existem para serem contados fora de uma avaliação clínica. O profissional precisa analisar se aquilo que parece um “sintoma” realmente corresponde ao fenômeno descrito, se existe um padrão persistente, quando ele começou, em quais situações ocorre, qual é sua intensidade e o quanto afeta o funcionamento da pessoa.

Mulher pesquisando sintomas de borderline no celular antes de buscar avaliação profissional

Um comportamento também pode parecer igual por fora e ter origens diferentes.

Alguém pode ter medo de ser abandonada por estar vivendo uma relação abusiva ou extremamente instável. Outra pessoa pode ficar impulsiva durante um episódio de mania. Uma terceira pode apresentar grande reatividade emocional em consequência de trauma. Ansiedade intensa, depressão, uso de álcool ou outras substâncias, TDAH e outros transtornos também podem produzir características que se confundem em determinados momentos.

Além disso, é possível possuir alguns traços associados ao borderline sem preencher critérios para o transtorno.

Traço não é automaticamente transtorno

Uma pessoa pode ser emocionalmente intensa, sensível à rejeição ou impulsiva em algumas situações sem ter transtorno de personalidade borderline. Para existir um transtorno, a avaliação considera o conjunto, a persistência, a extensão para diferentes áreas da vida e o prejuízo causado.

Por que borderline é confundido com outros problemas?

Porque o diagnóstico acontece em uma região da saúde mental em que vários sintomas se sobrepõem.

Ansiedade, irritabilidade, alterações de sono, impulsividade, depressão, dificuldade de concentração e crises emocionais não pertencem exclusivamente a um único transtorno. A diferença muitas vezes aparece na combinação dos sintomas, no tempo em que duram, no que costuma desencadeá-los e na história anterior da pessoa.

Borderline ou transtorno bipolar?

Os dois podem envolver mudanças importantes de humor e impulsividade, mas não são a mesma condição. No transtorno bipolar, o profissional procura episódios de mania ou hipomania e episódios depressivos com características próprias. No borderline, o foco está em um padrão mais amplo de instabilidade emocional, identidade, relacionamentos e impulsividade. As duas condições também podem coexistir.

Borderline ou ansiedade?

Ansiedade pode provocar medo, insegurança, tensão, pensamentos repetitivos e grande sofrimento. Ela pode coexistir com borderline, mas preocupação ou medo não bastam para estabelecer TPB. Quando a ansiedade é a principal dúvida, é necessário avaliar seu padrão por conta própria.

Borderline ou crise de pânico?

Uma crise de pânico costuma envolver aumento súbito de medo ou desconforto com sintomas físicos intensos. Uma pessoa com ou sem borderline pode ter ataques de pânico. O episódio isolado não define um transtorno de personalidade.

Se preocupação constante, tensão e sintomas físicos estão no centro daquilo que você sente, vale conhecer também o conteúdo sobre ansiedade depois dos 40 na mulher.

Quando os episódios são súbitos e acompanhados de medo intenso, falta de ar, tremor, palpitação ou sensação de perda de controle, nosso artigo sobre crise de pânico na mulher ajuda a entender essa outra possibilidade.

Como é feito o diagnóstico de transtorno borderline na prática?

O diagnóstico começa muito menos com um “teste” do que muita gente imagina.

A American Psychiatric Association recomenda uma avaliação psiquiátrica abrangente e centrada na pessoa. O NICE também destaca a importância de uma avaliação clínica estruturada realizada por profissionais de saúde mental.

Psiquiatra conversando com mulher durante avaliação para diagnóstico de transtorno borderline
Primeiro: entender por que você procurou ajudaO profissional precisa saber o que está acontecendo agora. Pode ser uma crise no relacionamento, impulsividade, autoagressão, ansiedade intensa, sensação de vazio, depressão ou simplesmente a dúvida depois de reconhecer alguns padrões.
Depois: reconstruir a linha do tempoNão basta saber como você se sentiu nesta semana. A avaliação pode explorar adolescência, início da vida adulta, relações anteriores, maneira de lidar com separações, mudanças de identidade, impulsividade e crises que se repetiram ao longo dos anos.
Em seguida: compreender onde existe prejuízoRelacionamentos, trabalho, estudos, finanças, autocuidado, sexualidade, alimentação e uso de substâncias podem entrar na conversa quando forem relevantes. O objetivo não é julgar escolhas, mas compreender o funcionamento.
Também é necessário procurar outras explicaçõesDepressão, transtorno bipolar, ansiedade, transtornos relacionados a trauma, TDAH, uso de substâncias, transtornos alimentares e outras condições podem coexistir ou produzir manifestações parcialmente semelhantes.
E a segurança precisa ser avaliadaPensamentos suicidas, autoagressão, tentativas anteriores, comportamento de risco e situações atuais de violência ou vulnerabilidade precisam ser perguntados diretamente quando houver indicação.

Em algumas avaliações, instrumentos ou entrevistas estruturadas podem ser usados para organizar os sintomas e aumentar a precisão clínica. Eles funcionam como apoio à avaliação, não como substitutos da conversa profissional.

Existe exame para confirmar borderline?

Não existe exame de sangue, tomografia, ressonância, dosagem hormonal ou teste genético usado isoladamente para confirmar o transtorno de personalidade borderline.

Isso não significa que exames físicos nunca tenham lugar durante a investigação. Dependendo dos sintomas, da idade, dos medicamentos utilizados e da história clínica, o profissional pode considerar avaliação médica para investigar condições que estejam contribuindo para mudanças de comportamento, sono, energia ou humor.

O NIMH destaca justamente que uma avaliação médica pode ser necessária para excluir outras possíveis explicações.

É possível descobrir transtorno borderline somente depois dos 40?

Sim, uma mulher pode receber o diagnóstico depois dos 40. Diagnóstico tardio não significa necessariamente início tardio.

O NIMH informa que o transtorno costuma ser identificado no final da adolescência ou no início da vida adulta. Na prática, porém, uma pessoa pode atravessar muitos anos tratando episódios de ansiedade, depressão, dificuldades de relacionamento ou outros problemas antes de a história completa ser compreendida.

Mulher depois dos 40 refletindo sobre histórico emocional e diagnóstico de borderline

Por isso, quando a suspeita aparece aos 42, 48 ou 55 anos, uma das perguntas mais importantes é: existem versões desse padrão muito antes desta fase da vida?

Uma mulher pode olhar para trás e perceber relacionamentos extremamente intensos desde jovem, medo recorrente de abandono, crises de identidade, comportamentos impulsivos ou grande dificuldade para regular emoções durante muitos anos.

Outra pode contar uma história completamente diferente: sempre teve estabilidade emocional e relacional e começou a apresentar mudanças marcantes apenas nos últimos meses, aos 47 anos.

Essas duas histórias não devem ser tratadas da mesma maneira.

Uma mudança nova de personalidade, comportamento, memória ou funcionamento depois dos 40 merece uma investigação mais ampla. Problemas de sono, depressão, ansiedade, uso de medicamentos ou substâncias e diferentes condições médicas podem precisar ser considerados de acordo com o caso.

E a menopausa pode parecer borderline?

Alguns sintomas podem se cruzar superficialmente, mas isso não transforma menopausa em transtorno borderline.

Durante a perimenopausa, algumas mulheres apresentam alterações de sono, ansiedade, irritabilidade, mudanças de humor e dificuldade de concentração. Esses sintomas precisam ser interpretados dentro da transição menopausal e da história individual.

Se instabilidade emocional importante surgiu somente nessa fase, sem um padrão semelhante durante décadas anteriores, não é adequado concluir pela internet que existe um transtorno de personalidade.

Da mesma forma, uma mulher que já apresenta um padrão antigo compatível com borderline pode chegar à menopausa e enfrentar simultaneamente problemas de sono, ondas de calor, ansiedade ou depressão. Uma condição não elimina a possibilidade da outra.

Algumas dúvidas merecem resposta antes de falar em tratamento

Borderline é “mudança de humor”?

Não apenas. Alterações emocionais fazem parte do transtorno, mas o quadro envolve também elementos relacionados à identidade, vínculos interpessoais, medo de abandono, impulsividade e outros padrões.

Reduzir borderline a “uma pessoa que muda de humor toda hora” reforça estigma e ainda dificulta diferenciar o transtorno de outras condições.

Uma pessoa com borderline manipula os outros?

Transformar “manipulação” em característica definidora é inadequado e estigmatizante.

Uma pessoa em sofrimento intenso pode apresentar comportamentos difíceis de compreender, inclusive tentativas desesperadas de evitar uma separação ou obter proximidade. Isso não significa que toda atitude seja saudável nem que familiares devam aceitar comportamentos abusivos. Significa apenas que um diagnóstico não deve ser usado como sinônimo de mau caráter ou intenção deliberada de machucar.

Autoagressão significa necessariamente borderline?

Não. Autoagressão pode ocorrer em diferentes contextos e transtornos e sempre merece avaliação cuidadosa.

Também é incorreto fazer o caminho inverso: nem toda pessoa com borderline se autoagride.

Borderline e depressão podem acontecer juntos?

Sim. Depressão está entre as condições que podem coexistir com transtorno borderline. Quando tristeza persistente, perda de interesse, desesperança ou falta de energia são importantes, o quadro depressivo precisa ser avaliado especificamente.

Nosso conteúdo sobre depressão na menopausa e quando buscar ajuda explica por que sintomas emocionais depois dos 40 não devem ser automaticamente colocados na conta dos hormônios.

O tratamento não tem como objetivo “trocar sua personalidade”

Essa ideia ajuda a desfazer um dos maiores medos relacionados ao diagnóstico.

O objetivo do tratamento não é apagar a identidade da pessoa nem torná-la emocionalmente indiferente. O cuidado procura reduzir sofrimento, melhorar a capacidade de regular emoções, diminuir comportamentos prejudiciais, tornar relacionamentos mais seguros e aumentar o funcionamento no dia a dia.

Mulher ao ar livre em momento de regulação emocional durante tratamento do borderline

As recomendações atuais da American Psychiatric Association colocam a psicoterapia estruturada no centro do tratamento. O plano deve ser individualizado, discutido com a pessoa e direcionado às características e dificuldades mais importantes daquele caso.

Existem diferentes abordagens psicoterápicas estudadas para transtorno borderline. Uma delas é a terapia comportamental dialética, conhecida pela sigla DBT. A diretriz vigente do NICE menciona um programa abrangente de DBT especialmente quando a redução de autoagressões recorrentes é uma prioridade em mulheres.

Isso não significa que toda pessoa com borderline deva obrigatoriamente fazer a mesma terapia. A APA ressalta a importância de utilizar uma abordagem estruturada com respaldo na literatura e de construir um plano centrado na pessoa.

Existe remédio para transtorno borderline?

Medicamentos não são considerados o tratamento principal dos sintomas centrais do transtorno borderline.

A diretriz da APA orienta que, quando medicamentos psicotrópicos são usados, eles sejam direcionados a alvos clínicos específicos, por tempo apropriado e como complemento ao tratamento psicoterápico. Também é necessário avaliar condições que coexistam, tratamentos anteriores e outros medicamentos em uso.

O NICE igualmente desaconselha utilizar medicamentos simplesmente para “tratar o borderline” ou manter antipsicóticos a médio e longo prazo exclusivamente com essa finalidade.

Na prática, uma pessoa pode precisar de medicamento por depressão, ansiedade ou outra condição associada. Essa decisão depende da avaliação clínica e não deve ser transformada em uma receita universal.

Não inicie, aumente, reduza ou interrompa antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos, ansiolíticos ou outros medicamentos por conta própria.

O diagnóstico é uma sentença para a vida?

Não.

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para quem acabou de receber o diagnóstico ou está investigando a possibilidade.

Durante muitos anos, o transtorno borderline foi cercado por ideias pessimistas, como se as pessoas fossem “impossíveis de tratar” ou destinadas a repetir os mesmos padrões indefinidamente. As recomendações atuais não sustentam esse tipo de visão.

A American Psychiatric Association destaca que tratamentos eficazes estão disponíveis e que sintomas podem diminuir e ser manejados. O NIMH também reforça que o tratamento pode ajudar muitas pessoas a apresentar menos sintomas e melhorar o funcionamento.

A evolução não precisa ser linear. Podem existir períodos melhores e piores, crises, recaídas e momentos em que determinadas dificuldades permanecem mais presentes do que outras.

Mas receber um diagnóstico não significa receber uma descrição imutável de quem você é.

Quando procurar ajuda imediatamente

Transtorno borderline pode estar associado a autoagressão e comportamento suicida em parte das pessoas. Qualquer risco atual precisa ser levado a sério.

Procure atendimento imediato quando houver, por exemplo:

  • intenção de tirar a própria vida;
  • plano ou preparação para uma tentativa de suicídio;
  • autoagressão com risco físico;
  • intoxicação, overdose ou uso perigoso de substâncias;
  • perda importante de controle com risco para si ou para outras pessoas;
  • crise psíquica intensa em que a pessoa não consegue permanecer em segurança.

No Brasil, situações de urgência podem ser atendidas pelo SAMU 192, UPA, pronto-socorro e demais serviços de urgência. O Ministério da Saúde informa ainda que CAPS e Unidades Básicas de Saúde fazem parte da rede de cuidado em saúde mental.

Para apoio emocional e prevenção do suicídio, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188. O CVV não substitui atendimento de emergência quando existe risco imediato.

O que pode ajudar antes da primeira consulta?

Você não precisa chegar ao consultório sabendo qual é seu diagnóstico.

Na verdade, tentar encaixar toda a sua história em um rótulo antes da avaliação pode tornar a conversa mais difícil. É muito mais útil levar informações concretas.

Mulher organizando informações antes de consulta para avaliação de transtorno borderline
  • Anote quando as dificuldades começaram. Tente lembrar se existem padrões semelhantes desde adolescência ou início da vida adulta.
  • Pense em situações que costumam desencadear crises. Separações, conflitos, sensação de rejeição, críticas, solidão ou estresse podem ser informações importantes.
  • Observe quanto tempo suas mudanças emocionais costumam durar. Não para diagnosticar a si mesma, mas para descrever melhor o que acontece.
  • Registre comportamentos impulsivos relevantes. Gastos, alimentação, álcool, outras substâncias, direção, sexualidade ou decisões que trouxeram consequências podem ser discutidos sem julgamento.
  • Liste medicamentos e suplementos utilizados. Inclua doses quando souber e conte se algum foi iniciado, retirado ou alterado recentemente.
  • Conte sobre diagnósticos e tratamentos anteriores. Psicoterapia, internações, crises, episódios de depressão, ansiedade ou suspeita de transtorno bipolar fazem parte da história.
  • Não esconda autoagressão ou pensamentos suicidas. Essa informação ajuda o profissional a avaliar segurança e definir o cuidado necessário.

Se for difícil reconstruir determinados períodos da vida, isso não invalida sua experiência. Dependendo da situação e com sua autorização, informações de pessoas próximas ou registros anteriores podem ajudar a complementar a história.

Um diagnóstico correto precisa explicar mais do que um momento ruim

A pergunta “como saber se tenho borderline?” é legítima. Mas a resposta não cabe em um vídeo de poucos segundos, em uma lista compartilhada nas redes sociais ou em cinco características marcadas em um teste.

O que torna o transtorno borderline uma possibilidade clínica é a maneira como diferentes aspectos se conectam: emoções, relações, identidade, impulsividade, estratégias para lidar com rejeição e sofrimento, tempo de duração e impacto na vida.

Também importa aquilo que não é borderline.

Ansiedade precisa ser reconhecida como ansiedade quando essa for a melhor explicação. Transtorno bipolar exige sua própria investigação. Depressão, trauma, TDAH, uso de substâncias e condições clínicas não devem desaparecer apenas porque uma pessoa se identificou com uma descrição de TPB.

Depois dos 40, essa cautela é ainda mais valiosa. Mudanças novas de humor ou comportamento merecem ser entendidas no contexto em que começaram, enquanto padrões antigos podem finalmente ganhar uma explicação mais clara.

O nome do diagnóstico pode organizar o cuidado. Ele não deve virar uma definição completa da pessoa.

Para acompanhar outros conteúdos sobre comportamento, emoções, ansiedade e bem-estar nesta fase da vida, visite a categoria Saúde Emocional.

Fontes confiáveis e leituras oficiais

As informações médicas deste artigo foram revisadas com base em fontes institucionais e diretrizes disponíveis e conferidas em setembro de 2026.

  1. National Institute of Mental Health (NIMH) — Borderline Personality Disorder.
    Informações institucionais sobre características, diagnóstico, condições associadas e tratamento do transtorno de personalidade borderline.
    Consultar a página do NIMH
  2. American Psychiatric Association — Treatment of Patients With Borderline Personality Disorder (2025).
    Página oficial da diretriz clínica da APA para tratamento do transtorno de personalidade borderline, atualizada em 16 de junho de 2026.
    Consultar a diretriz da APA
  3. American Psychiatric Association — What is Borderline Personality Disorder?
    Material institucional para pacientes e famílias com explicação dos critérios do DSM-5-TR e princípios de tratamento.
    Consultar a explicação da APA
  4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE) — Borderline Personality Disorder: Recognition and Management.
    Diretriz oficial vigente com recomendações sobre reconhecimento, avaliação, psicoterapia, medicamentos e manejo de crises.
    Consultar as recomendações do NICE
  5. Ministério da Saúde — Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
    Informações oficiais sobre atendimento em saúde mental pelo SUS, funcionamento dos CAPS, atenção básica e caminhos de urgência.
    Consultar a orientação do Ministério da Saúde
  6. Ministério da Saúde — Suicídio (Prevenção).
    Orientações oficiais sobre sinais de alerta, busca de ajuda e serviços de saúde e emergência.
    Consultar a página oficial de prevenção
Aviso de saúde

Este artigo tem finalidade exclusivamente informativa e educativa. Ele não substitui consulta, avaliação psicológica ou psiquiátrica, diagnóstico ou tratamento individualizado.

Reconhecer características descritas aqui não confirma transtorno de personalidade borderline. Diferentes condições médicas e de saúde mental podem produzir sintomas semelhantes ou coexistir.

Não inicie, interrompa ou altere medicamentos por conta própria. Em situação de risco de suicídio, autoagressão ou outra emergência em saúde, procure atendimento imediatamente.

Leia também o Aviso de Saúde completo do blog.

Informação sobre saúde mental deve ajudar a compreender, não a rotular. Se esta leitura esclareceu uma dúvida que também pode estar confundindo outra mulher, você pode compartilhar o artigo com ela.



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